É justo que saibam desde já que esta mensagem não é sobre o MBA. Não pude, no entanto, deixar de a escrever.
Nas nossas áreas de interesses, cada um de nós acaba por encontrar e reter nomes marcantes, referências que nunca mais se esquecem. À força de longos períodos de convivência, tornam-se familiares, a acabamos por ganhar simpatias (ou antipatias…) por pessoas que nunca conhecemos, mas sobre quem formamos uma opinião.
Ora, dada a minha formação, um desses incontornáveis vultos é o de James Watson. Juntamente com Francis Crick, ele revelou ao mundo, em 1953, a estrutura em dupla hélice do DNA, sendo este um marco histórico da ciência. Apenas como apontamento, é evidente que esta descoberta não surgiu isolada do passado, sendo por demais justo referir também o nome de Rosalind Franklin, cuja Photo 51 foi fundamental para o desenrolar do resto do processo.
Mas voltando a Watson, ele tornou-se desde há muito uma das tais referências para mim. O respeito pela pessoa era grande, mas tudo se alterou no tempo que demora a ler uma notícia… De acordo com ela, o senhor disse, e passo a citar “Toda a nossa política social está baseada no facto da inteligência deles [dos africanos] ser a mesma que a nossa. Mas todas as experiências dizem que não é bem assim. Quem tenha que lidar com empregados negros sabe que isto não é verdade”. Além desta pérola, é-lhe também atribuída uma outra declaração, há 10 anos atrás, em que afirma que se por acaso fosse descoberto e identificado um gene para a homossexualidade, então as mães em cujos fetos tal fosse detectado deveriam ter o direito de abortar.
Há realmente uma coisa em que concordo com Watson: a inteligência não está igualmente distribuída pelas pessoas. Julgo é que se enganou no padrão, e aparentemente ele não foi muito favorecido…
Tal como nos vem sendo dito nos últimos tempos, a reputação é algo que demora muito a construir, mas muito pouco a perder. Neste caso, demorou duas declarações. Fica o respeito pelo trabalho.
1 comentário:
Pois é verdade, Watson regressa no seu melhor... Enfim... A idade é um posto, mas a senilidade pode também acompanhá-la.
E agora, perante (mais) esta (e outras afirmações já históricas), que irá fazer Leonor Beleza, a Presidente da Fundação Champalimaud, sobre a presença de James Waston na Comissão de Ciência e Ética da referida Fundação? À boa maneira portuguesa, como não é nada connosco, vai fazer "vista grossa"? Particularmente interessante quando tem um prémio para investigação em visão...
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